O desânimo atípico de criança e as queixas da professora na escola foram substituídos assim que uma pergunta
 Marta Silva, 8 anos, passou a apresentar um desempenho melhor na escola após conseguir a doação no Imip. Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A Press |
tornou-se diária na vida de Marta Silva, 8 anos. "Onde está meu aparelho?" A garota deu sinais de deficiência auditiva desde os primeiros meses de idade, mesmo assim apenas a mãe percebia. Incansável, ela procurou atendimento médico várias vezes com o argumento de que a filha não respondia. Até hoje não entende o que aconteceu. Já não se importa. Há um ano, ela encontrou um especialista que identificou o problema e recomendou o uso do Aparelho de Amplificação Sonora Individual (AASI) como solução. Adquiri-lo não foi problema pois ela recebeu a doação no Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira (Imip). Desde então, ao abrir os olhos, a menina pede pôr "seus ouvidos".
Ao contrário do que ocorre com a maior parte dos pacientes, Josilene Maria da Silva foi informada sobre a doação do aparelho no Sistema Único de Saúde (SUS) tão logosoube do problema da filha. "Um médico de outro hospital identificou a deficiência, mas me disse para procurar o Imip e tentar obter o aparelho. Em cerca de três meses, minha filha tinha feito todos os testes e agora só o tira para tomar banho e dormir", contou a mãe. A menina, que por problemas na audição tinha dificuldades na fala, já está melhorando sua evolução na escola e está bem mais sociável. Com apenas 8 anos, compreende os benefícios trazidos pela prótese e vai satisfeita realizar os exames anuais de rotina. "Agora ela está mais à vontade e animada. Parece outra criança", destacou.
Disponível desde 2004 pelo Programa de Saúde Auditiva, o serviço poderia reduzir o atual número de 5.7 milhões de brasileiros que sofrem com algum nível de deficiência, sendo 329 mil em Pernambuco. "Diferente do que muitos pensam, não há fila de espera. Parece que grande parte da população continua desinformada a respeito do programa", justifica a otorrinolaringologista do Hospital das Clínicas de São Paulo, Mara Rocha Gândara. A coordenadora do setor de fonoaudiologia do Imip, Carla Vasquez, informou que no local existe um limite de 230 próteses por mês. Mas a cota não é um problema. "Os idosos são maioria entre os pacientes, mas o aparelho de amplificação pode ser adotado em vários casos. Não costumamos ter filas de espera", destacou. Carla acrescentou que os casos em que as próteses não são indicadas são os de surdez extrema ou os bastante leves.
A médica esclareceu que o procedimento para adquirir o aparelho auditivo de maneira gratuita tem início com a indicação de um otorrinolaringologista do uso de prótese auditiva e uma cópia do exame (a audiometria) que gerou a indicação. Com isso, o paciente deverá procurar um dos serviços credenciados na sua cidade ou estado, onde serão iniciados os testes de identificação do aparelho indicado. Além do Imip, em Pernambuco, as unidades conveniadas com o SUS para esse programa são a Unidade Municipal de Saúde Auditiva de Caruaru, no Agreste, e o Centro Auditivo de Petrolina, no Sertão. Nesses centros, não há limite de próteses.