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Sonho de baliza
Realização // Mesmo não tendo o mesmo prestígio de décadas passadas, as moças ainda disputam o título
Mirella Marques // Diario
mirella.marques@diariodepernambuco.com.br


Quando os primeiros acordes das bandas marciais e de fanfarra começarem a ecoar na Avenida Cruz Cabugá

Rosana Bezerra já concluiu o segundo grau, mas memo assim não larga o posto na Aggeu Magalhães. Foto: Cecília de Sá Pereira/Esp. DP/D.A Press
amanhã, palco do desfile de Sete de Setembro no Recife, todas as atenções serão voltadas para elas: as balizas. O posto que já foi o sonho de dez entre dez meninas nas décadas de 1950 e 1960 ainda existe, é cobiçado e movimenta a vida de dezenas de alunas e ex-alunas da rede pública do estado. As atuais balizas, no entanto, não gozam do mesmo prestígio das antecessoras. Para brilhar nas apresentações, muitas contam apenas com o apoio financeiro de parentes. Outras bordam a própria roupa, para economizar. Reconhecimento? Só mesmo durante o desfile cívico ou os concursos de bandas. Nessas ocasiões, elas esquecem as dificuldades e, com o sorriso no rosto, levam a platéia ao delírio.

Ser baliza estava no sangue de Izabelly Ravache, nome artístico de Isabele Cristina do Nascimento, 18. A mãe foi baliza na década de 70 e desde sempre incutiu o sonho na cabeça da filha. Ele foi realizado em 2006, quando Izabelly foi convidada para conduzir a Banda Ginásio Pernambucano, uma das mais tradicionais do estado. Antes de ganhar o posto oficial, ela precisou derrubar outras 15 concorrentes. "A baliza precisa ser carismática, conquistar o público, e ter disciplina. As baixinhas e magrinhas são maioria porque são mais flexíveis", contou. Como o GP não possui quadra, Izabelly ensaia no pátio. Às 5h, já está de pé. "Faço alongamento, repasso a coreografia mentalmente e me concentro. Esse é o segredo", disse.

Deyse Gomes de Barros, 22, é baixinha. Mas longe de ser magrinha. Com 1m56 e 60kg, é o que se pode chamar de "cheinha". Mesmo assim, a baliza da Escola Estadual Aníbal Falcão, em Tejipió, é uma das mais aclamadas na avenida. E vencedora de diversos concursos locais. "Faço mais coisas que muitas magrinhas por aí", disparou. O sonho de ser baliza tornou-se realidade aos 15 anos quando, casada, conseguiu dinheiro para freqüentar aulas de dança. "Meu marido é coreógrafo, né? Isso também ajuda", garantiu. Com o apoio dele e da mãe, Deyse consegue investir cerca de R$ 800 por ano para criar as roupas dos desfiles. "A deste ano está guardada a sete chaves. Será surpresa."

Ultimato - Após 12 anos ocupando o posto de baliza, Rosana Valença Bezerra, 22, recebeu do ex-namorado um ultimato: "ou eu ou a banda marcial?" Não é preciso dizer qual dos dois ganhou a parada. "Adoro o que faço. Quando chego no desfile e recebo o carinho do público, é como se todos os meus problemas desaparecessem naquele momento. Tive que mandar o namorado passear", justificou entre risos.

Mesmo tendo concluído o ensino médio, ela continua representando a Escola Estadual Aggeu Magalhães, em Casa Amarela. Rosana é a baliza principal da banda do colégio desde que tinha 10 anos de idade. Ela se destaca nos concursos pelo estilo diferente. Ao contrário das demais, não adota o uniforme "bailarina".

"Minhas roupas de apresentação são mais parecidas com os colantes da atletas de GRD (ginástica rítmica desportiva). Minhas saias não são de tule e não uso sapatilha de ponta. Gosto mais das botinhas, que são confortáveis. Sempre desfilei de uma forma diferente", admitiu.


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Edição de sábado, 6 de setembro de 2008 
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