Duas produções pernambucanas estão entre os premiados do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo, o mais importante do Brasil na área. São os documentários Menino-aranha, primeira realização audiovisual da jornalista recifense Mariana Lacerda, ex-repórter do Diario de Pernambuco, e Prîara Jõ. Depois do ovo, a guerra, de Komoi Panará, feito com o apoio da ONG Vídeo nas Aldeias, sediada em Olinda. O anúncio dos vencedores ocorreu sexta-feira à noite.
Menino-aranha, que reconstrói a trajetória de Tiago João da Silva, o garoto que escalava prédios no Recife para cometer pequenos furtos e foi assassinado em dezembro de 2005, recebeu o Prêmio Aquisição do Sesc TV de melhor diretor estreante, ao qual concorriam as obras da seção Mostra Brasil. Além do reconhecimento, a diretora Mariana Lacerda, radicada em São Paulo, ganhou R$ 5 mil. Em entrevista ao Diario, ontem, ela disse que buscou um ângulo diferente para narrar uma história na qual muitos têm dificuldades em acreditar. "Nas sessões do festival, eu era abordada por pessoas que perguntavam se era mentira ou verdade. Quis contar a história de Tiago João de uma maneira que não cabia mais nos jornais", afirmou. Entre as pessoas que deram depoimentos para o documentário está a repórter Marcionila Teixeira, do Diario, que fez a cobertura do caso do "Menino-Aranha" para o jornal. Mariana agora aguarda o resultado de seleções de outros festivais. Ainda não há previsão de exibição do seu documentário no Recife.