Exatamente 93 anos separam a apresentação da Companhia Portuguesa de Operetas e Revistas dos dias atuais. No dia 24 de agosto de 1915, o comendador Bento Luiz de Aguiar inaugurava, com a presença do grupo de seus conterrâneos de Portugal, o teatro que ajudava a concretizar seu sonho de erguer um complexo de diversões em pleno centro do Recife. Primeiro, o comerciante e empreendedor construiu o Hotel do Parque e, no terreno que serviria de quintal para o mesmo, montou o teatro-jardim com estruturas em ferro, exemplar único deste estilo de art-nouveau na região. Apesar de sua importância arquitetônica e para a vida cultural da capital pernambucana, o Teatro do Parque fica numa área degradada da Boa Vista, cercado de camelôs e de um comércio desordenado, além de não estar protegido pela legislação vigente. "Ele não é tombado nem considerado imóvel de preservação especial. Mas existe um movimento dentro da Prefeitura neste sentido", revela a historiadora Leda Dias, autora do livro Cine-teatro do Parque: um espetáculo à parte, que será lançado hoje, a partir das 19h, durante as comemorações do aniversário do espaço.
 Interior do teatro, exemplar único da arquitetura em ferro do estilo art-nouveau na região Foto: Juliana Leitao/DP D.A.Press |
Para elaborar a publicação, que possui o mérito de ser o primeiro registro escrito sobre a história do Teatro do Parque, Leda Dias fez um levantamento iconográfico, tratando tando do edifício quanto do equipamento em sua função cultural. "Ele sugeria um outro modelo de diversão, do teatro da tarde, de variedades, de complexo multiartístico", ressalta a historiadora, lembrando também o papel fundamental do Parque para a sétima arte. "Severiano Ribeiro arrendou o Parque durante trinta anos, a partir de 1929; lá foi exibido o primeiro filme falado em Pernambuco e também abrigou o primeiro cinema educativo do Brasil", pontua.
Também haverá a apresentação do espetáculo Avesso do passo, da Escola Municipal de Frevo, e a exibição de três documentários, entre eles uma raridade, que registra a inauguração da pinacoteca municipal Vicente do Rego Monteiro, que funcionou no Parque, antes de ser trasferida para a Rua da Aurora, dando origem ao Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam).
E também Parque: espetáculo tropical, de 1992, dirigido por Marcílio Brandão e produzido por Anselmo Alves, que traz depoimentos de artistas marcantes para a história do Parque, como o realizador de cinema Firmo Neto e a pianista Josefina Aguiar. A festa será animada pelo som da dupla Vates e Violas e por Sérgio Cassiano. Foram reservados 450 dos 900 lugares do Parque para o público, que deverá retirar os ingressos na bilheteria do teatro, a partir das 17h30. Informações: 3232-1553.