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O paraíso é aqui
Roupas // Comércio on-line atrai cada vez mais consumidores diferenciados
Do Correio Braziliense

Na tela do computador, o estudante de direito Vítor Perdiz, 23 anos, escolhe a cor e aposta no tamanho da camiseta que caiba no seu corpo. Textura e bom caimento são dois quesitos que ficam de fora na hora da compra, porque o estudante só verá a roupa quando ela chegar pelos Correios. Vítor se apaixonou pelas camisetas à venda na internet e virou consumidor assíduo das peças. Já comprou mais de cinco e recomenda as aquisições. "É legal porque você foge dos padrões do mercado", justifica.


Vítor Perdiz adora comprar camisetas através da rede: "Dá para fugir dos padrões do mercado" Foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A. Press
Esse novo tipo de transação é possível graças ao comércio virtual, e muda não apenas o modo de se adquirir um produto, mas também o comportamento do consumidor diante da compra. Em vez de ir a uma loja, provar, escolher peças que caiam bem no corpo e acessórios para montar o look, os internautas se contentam com informações básicas como manequim ou numeração do sapato para decidir pela compra. Produções personalizadas, bolsas de tecido caprichadas, camisetas temáticas e, por isso mesmo, mais divertidas, bijuterias e roupas usadas são alguns produtos vendidos na internet.

A pernambucana Denise Arcoverde, 43 anos, percebeu no blog um formato viável para vender seus trabalhos e artigos comprados em viagens pelo mundo. O Brechó e bazar desafinado, que ela administra paralelamente ao blog Síndrome de Estocolmo, prima pela diversidade. Relicários, brincos, colares, pulseiras, anéis, bolsas e peças que ela garimpa mundo afora, viajando por seus trabalhos de incentivo à amamentação e à inclusão digital.

Denise procura fazer uma política de qualidade no blog. "Eu não sabia de outros até fazer o meu, por isso não tinha como me inspirar", diz. Diferentemente do comércio dos grandes sites ou das lojas físicas, os blogs pequenos têm outras peculiaridades, como dispor de menos burocracia. Por isso, recomenda-se atenção extra. "Por não ter segurança jurídica, só compro em sites em que sinto que não terei problemas", lembra Vítor.

A internet também é a solução para quem quer passar adiante um produto estocado por longo tempo no guarda-roupa. A estudante de direito Ana Luíza Mello, 19 anos, criou o blog A brecholenta no começo do ano para dar uma forcinha na renovação de seu guarda-roupa. "Antes, trocava peças com amigas ou vendia em brechós, mas as possibilidades na internet são maiores", compara. Nos brechós físicos, ela perdia, em média, 40% do valor da peça. Na internet, mesmo pagando o frete, consegue um lucro maior.


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Edição de quarta-feira, 27 de agosto de 2008 
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