O show de Ana Carolina no último sábado surpreendeu de duas formas. Primeiro porque a cantora apresentou um espetáculo completo com telões, jogos de luz, fogos de artifício, além de tocar, cantar e dançar. Nada ficou de fora da apresentação, que foi dirigida pela renomada Monique Gardenberg e durou cerca de duas horas. A todo momento o público era presenteado com uma mudança no cenário e na atitude da cantora no palco, que ora interpretava suas músicas de maneira calma e intimista, estilo show acústico, ora soltava o vozeirão e levava a platéia ao delírio.
E um segundo fato que deve ter surpreendido aos fãs mais atentos foi a quantidade de pessoas filmando a apresentação. Um verdadeiro mar de máquinas, câmeras e celulares ligados em frente ao palco. Ou teremos em breve um DVD pirata do show rodando pelas ruas da cidade, ou os fãs andam tão desesperados pela diva que querem guardar tudo para relembrar enquanto ela não volta ao Recife. Talvez a segunda opção seja mais pertinente com a reação da multidão que compareceu ao Chevrolet Hall no sábado, e antes mesmo do final da ótima apresentação do carioca Alex Cohen, que subiu no palco às 22h30, já gritava enlouquecida: "Ô Carolina, cadê você, eu vim aqui só pra te ver..."
Mas, histerias à parte, Ana Carolina realmente jogou para ganhar. Abrindo o show com a polêmica e enérgica Eu comi a Madona e acompanhada por um vídeo exibido no telão com imagens antigas de sadomasoquismo feminino, feitas por Betty Page, a cantora arrebatou o público logo de cara. As músicas mais recentes, como Nada te faltará, Tolerância e Rosas, foram intercaladas por clássicos como Pra rua me levar, Encostar na tua e Carvão. Aplausos a parte para as canções É isso aí, em que a cantora toca piano, e as versões próprias de Ana Carolina para as músicas Cabide, gravada por Mart'nália e Eu não sei quase nada do mar, interpretada por Maria Bethânia.
Falando pouco (e pra quê?), cantando e tocando muito (violão, guitarra, piano e pandeiro), a intérprete ainda teve espaço para recitar o texto Desculpa que une trechos das obras do poeta gaúcho Fabrício Carpinejar e do poeta russo Boris Parternak. A idéia deu certo e se converteu num dos pontos altos do show. No final, a cantora ainda voltou ao palco motivada por uma platéia de maioria feminina que não parava de aplaudi-la.