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Mais espaços para a produção teatral
Na continuação da série sobre a situação das casas de espetáculo, conheça as reivindicações de quem precisa de apoio
Tatiana Meira // Diario
tmeira@diariodepernambuco.com.br


Incentivar a criação de espaços pequenos para abrigar a produção cultural da cidade seria mais interessante do que lançar editais para a manutenção de companhias ou mesmo construir novos teatros. Pelo menos esta é a corrente defendida por Paula de Renor, atriz e produtora cultural que administra, há oito anos, o Teatro Armazém 14, no Bairro do Recife. Paula vem evitando promover temporadas no local no inverno, pois sabe da responsabilidade que tem e dos problemas estruturais do Armazém. "Precisaria de uma reforma total, para tratamento acústico, além de ser refeito o serviço do telhado", garante ela, que aguarda desde maio que as providências sejam tomadas pelo Porto do Recife, gestor dos armazéns do cais. No começo de 2008, o galpão foi todo retelhado, mas continua com goteiras quando chove forte. Foram usados cinco tipos de telhas de modelos diferentes, que não se encaixam direito.


Paula de Renor avalia que o espaço do porto necessita de uma reforma total Foto: Cecilia de Sa Pereira/ Esp. DP/D.A. Press
Enquanto isso, ela contratou, por conta própria, uma pessoa para fazer serviço de manutenção, evitando transtornos, e tem buscado não sobrecarregar o Armazém, abrindo para shows e atividades com arte-educadores. "O ideal é que ele abrigasse projetos estruturadores, de formação, a exemplo do Armazém de Criação, que realizamos há quatro anos e que em 2008 será voltado para a dança", destaca a produtora. O Próximo Ato, do Itaú Cultural, Kulturfest Itinerante e shows como o de China e Mombojó são exemplos de eventos que o Armazém vem acolhendo.

Alfândega - Com salas para ensaio, biblioteca, almoxarifado, além de um outro andar apenas para o teatro, que acomoda de 90 até 150 espectadores, o Centro de Pesquisa Teatral do Recife (CPT Recife), também no Recife Antigo (em frente à entrada do estacionamento do Paço Alfândega) também passa por uma fase delicada. Fundado em novembro de 2006, o CPT é outro espaço alternativo, que começou a partir de um coletivo de grupos teatrais que buscavam o compartilhamento de idéias (Compassos, Engenho, Dzugur, Construtores de Histórias, Tróia de Taipa). "Estamos articulando uma semana em homenagem a Marcus Siqueira, em novembro, quando completamos dois anos. O Recife deveria aceitar melhor quem trabalha com pesquisa cênica, sem fins lucrativos. O cômico é importante, mas existe um teatro sério e de qualidade que ajuda a construir um mundo melhor", defende a arte-educadora e historiadora Fátima Correia, que dirige o CPT, onde são tocados ensaios de companhias como a Cênicas, de Antonio Rodrigues, a Trupe de Copas, com a peça Mulheres em V, e projetos como o Colaborativo Permanência, coordenado por Kleber Lourenço, que também ensaia lá sua nova montagem.


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Edição de segunda-feira, 25 de agosto de 2008 
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