 Capacete que o militar usava ao sair de casa foi quebrado durante o assalto. Arma de um dos bandidos foi apreendida. Foto: Juliana Leitão/DP/D.A Press |
A criminalidade mais uma vez fez de um integrante da polícia pernambucana uma vítima. Neste ano, de acordo com a Associação dos Oficiais, Subtenentes e Sargentos da Polícia e Bombeiro Militar de Pernambuco (AOSS), mais de 20 policiais foram vítimas de criminosos. Era cedo, por volta das 6h, quando o tenente do 1º Batalhão da Polícia Militar Jonathan Leite Florêncio Laurentino, 24 anos, estava saindo de casa para ir trabalhar, na sede do batalhão, em Olinda. Ele já tinha tirado a moto da garagem e estava fechando o portão de sua residência, localizada no bairro de Campo Grande, quando foi abordado por dois homens armados que anunciaram o assalto. O policial entregou o celular e a carteira, mas os criminosos acabaram atirando contra ele, que reagiu.
Na troca de tiros, o tenente ficou ferido no rosto e no ombro, foi socorrido por vizinhos e encaminhado para o Hospital da Restauração (HR), de lá foi transferido para o Hospital da PM, onde está internado. Os disparos acabaram atingindo o assaltante Luiz Carlos Gonçalves de Lima, 25, que morreu nas imediações da rua onde mora o militar. O outro acusado conseguiu fugir e foi capturado no início da tarde, nas proximidades da praia de Carne de Vaca, no município de Goiana. Leandro Antônio dos Santos, 25, foi preso por policiais militares e autuado em flagrante no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHHP) por tentativa de roubo qualificado e tentativa de homicídio.
Assista ao vídeo http://www.diariodepernambuco.com.br/videosO delegado da Força Tarefa do Núcleo de Homicídios, Sérgio Ricardo, garantiu que o tenente foi vítima de uma tentativa de assalto, mas durante a tarde de ontem começou a ser ventilada a possibilidade de ele ter sido vítima de um crime encomendado, pois o oficial estava conduzindo o licenciamento ex-ofício do soldado do 1º BPM Marcos Antônio de Medeiros, suspeito de envolvimento no desaparecimento da corretora Taciana Barbosa, em maio deste ano. "Tenho certeza que o que houve foi uma tentativa de assalto. O próprio preso confessou que saiu de casa para roubar. Não há possibilidade de ter sido um crime de encomenda, ou vingança", afirmou o delegado. A mesma opinião é compartilhada pelo chefe do Serviço de Inteligência do 1º BPM, capitão Renato Aragão. Ele disse, inclusive, que chegou a cogitar essa hipótese, mas ao longo do dia teve certeza que não se tratou de um crime de encomenda. "Eu mesmo pensei que poderia ter alguma relação com o caso de Taciana. Mas participei de toda a operação desde o início do dia até a prisão do acusado, e ficou claro que foi uma tentativa de assalto", afirmou o capitão.
A arma utilizada para atirar no policial foi apreendida juntamente com o acusado. Os familiares de Jonathan Laurentino estavam dormiam quando aconteceu a investida. Ao ouvir o som dos tiros, a tia do tenente Sandra Martins contou que teve certeza que algo havia acontecido com o sobrinho. "Ao sair de casa, ele estava deitado lá na frente", comentou Sandra Martins.