 Psicoterapeuta Meraldo Zisman explicou conceitos, sintomas e analisou dados sobre a mudança de comportamento. Foto: Cecilia de Sa Pereira/ Esp. DP/ D.A Press |
O que antes era algo desconhecido dos cientistas, nos últimos anos tornou-se motivo de preocupação de educadores, profissionais de saúde e, principalmente, pais de crianças e adolescentes. O fenômeno bullying - agressão escolar de várias formas - invadiu escolas e tomou proporções assustadoras em vários países tidos como referência em educação. No Brasil, o problema vem ganhando destaque nos meios de comunicação e tem sido motivo de estudos das causas e alternativas de controle do comportamento agressivo. As vítimas, no entanto, ainda sofrem as conseqüências do trauma que começa na infância e pode se tornar mais grave na fase adulta.
Na última terça-feira, o Diario de Pernambuco promoveu um debate pioneiro sobre o bullying com um dos mais respeitados estudiosos do assunto. O psicoterapeuta de jovens e família Meraldo Zisman falou sobre conceitos, sintomas e dados estatísticos da mudança de comportamento, destacando vítimas e agressores. "O novo formato do Diario de Pernambuco possibilita uma interação moderna com a sociedade, em constante vigilância da população e cintes dos problemas como o bullying", disse Zisman.
A maior incidência do fenômeno no Brasil ocorre em escolas das cidades de Brasília e São Paulo. Atualmente, cerca de 40% dos ocupantes de clínicas especializadas no mundo estudam o fenômeno. O público presente ao debate foi, na grande maioria, formado por professores, educadores e profissionais de saúde.
Um grupo de jovens, porém, se destacou. Eram alunos dos ensinos Médio e Fundamental da Escola Cônego Jonas Taurino, da comunidade de Aguazinha, em Olinda. Os 12 alunos que compareceram ao evento produzem o Conexão Estudantil, informativo com cerca de 250 exemplares de tiragem que circula na escola e na comunidade. Foi a forma como eles encontraram para desenvolver a leitura e a escrita, além de expor assuntos de interesse público no local.
A garotada fez uma cobertura especial do debate para o jornal escolar que já surtiu efeitos. Segundo o professor Anderson Ferreira, que acompanhou os alunos ao lado da colega Risocleide Frutuoso, o grupo tomou a iniciativa de debater o assunto na escola. "Eles sabem que o bullying acontece, mas desconheciam o nome estrangeiro. Depois do debate pediram uma semana para discutir o assunto na disciplina de Ética e Cidadania e vamos atendê-los", contou.
O encontro sobre o bullying foi mais uma iniciativa do Leitor do Futuro, do Diario, através do Projeto Encontros e Diálogos. Meraldo Zisman respondeu perguntas do público e falou sobre os primeiros relatos do comportamento violento. Segundo Conceição Cavalcanti, coordenadora do Leitor do Futuro, o debate correspondeu às expectativas pelo fato de provocar ações entre a sociedade. "Ações como a dos alunos que participaram do encontro refletem nossa proposta de provocar e convocar a sociedade no sentido de que ela busque soluções para problemas como o bullying e são uma resposta positiva do trabalho de profissionais com Meraldo Zisman", completou.
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