Trompete, trombone e safoxone formam o trio inseparável da metaleira ouvida no frevo de rua. Também estão presentes no maracatu rural, sendo, por isso, instrumentos indispensáveis para a composição de uma música tipicamente nordestina. O trombone, como personagem único, tem seu papel de destaque em várias ocasiões. É dele o som que ouvimos mesmo a certa distância, em pleno Carnaval, para anunciar a chegada de algum troça ou agremiação. Se até os anos 80 o safoxone era, do naipe de metais, o mais utilizado dentro da música pop, hoje é o trombone que chega com ares de novidade numa banda. Uma boa prova da popularização do instrumento está num encontro regional de tocadores, que acontece de hoje a domingo, reunindo profissionais de todo Nordeste, para aulas e concertos no Teatro de Santa Isabel (veja quadro ao lado). Entre os convidados, o destaque são os recifenses da Trombonada, formado por músicos da Spok Frevo Orquestra e da Orquestra Sinfônica do Recife (OSR).
 Um dos destaques da programação é o grupo Trombonada, formado por músicos da Orquestra Sinfônica do Recife e da Spok Frevo Orquestra Foto: Cecília de Sá Pereira/ Especial para o Diario/ D.A. Press |
A Trombonada surgiu depois que Silvério Pessoaconvidou o trompetista Nilson Amarante para participar da gravação do CD Cabeça elétrica coração acústico, com o arranjo de duas músicas do trabalho. "Depois da gravação, ele nos convidou para o show de lançamento. Ficamos maravilhados e decidimos, com seu apoio, seguir carreira solo, participando dos shows, mas também fazendo o nosso trabalho", conta Nilson.
Formada há três anos, a Trombonada já participou de vários CDs, entre eles os de Elba Ramalho, Nena Queiroga, Lula Queiroga, Gustavo Travassos, Pedro Luís e a Parede, Parafusa, Corjazz e Treminhão. Seus cinco músicos aguardam, agora, o primeiro CD da banda, com 90% de músicas pernambucanas. "Não estamos tocando muito ainda, pois, sem CD, fica difícil as pessoas conhecerem nosso trabalho. Nosso som é basicamente voltado para os ritmos da região. Tem frevo, coco, baião e maracatu", diz o músico. Aberta a improvisações dos seus integrantes, a Trombonada faz tudo isso numa leitura mais jazzística, com espaço para dubs, entre outros efeitos eletrônicos. O CDdeve chegar em 20 dias.
Antes disso, a Trombonada encerra a programação do Encontro Regional de Trombone, que vai reunir diversos profissionais, como os professores Flávio Lima (OSR e Conservatório Pernambucano de Música), Sandoval Moreno (UFPB) e Radegundis Feitosa (UFPB). "O trombone hoje rompe a barreira do preconceito. Antes, era difícil ver uma mulher tocando aqui no Recife. Hoje temos um bom número", conta Nilson. "Elas vão tocar no encontro. São oito trombonistas, que fazem parte da orquestra 100% Mulher, dirigida pela maestrina Carmem. Elas estão tocando divinamente, acompanhadas por baixo, guitarras, baterias e percussões". (Michelle de Assumpção)
Programação - 3º Encontro Regional de Trombone
Hoje, às 19h
Prof. Sandoval Moreno (trombone e piano) Jorge Guerra (trombone-baixo e piano) Nilsinho Amarante (trombone e base) Quarteto Trombolista Quarteto de Trombones Feminino do Recife
Sábado, às 19h
Prof. Flávio Lima (OSR / CPM) e Quartetóide Prof. Sandoval Moreno e Grupo de Metais Prof. Nino (CPM) e Quarteto de Trombones do Conservatório Pernambucano de Música Quarteto Trombonada
Domingo, às 19h
Trombonada - com os participantes do encontro.
Ingressos: R$ 10 e R$ 5