Após divulgar a programação de sua etapa educativa, a Mostra Internacional de Música em Olinda - Mimo, apresentou sua grade completa de concertos (abaixo). Eles acontecem entre 1 e 7 de setembro, nas igrejas do Sítio Histórico de Olinda. "Quando criei o evento, queria levar à Olinda concertos de alta qualidade artística, que, apresentados nas igrejas históricas da cidade, promovessem uma experiência mágica e profunda para os que apreciam o melhor da música. Acho que conseguimos", diz a carioca Lu Araújo, diretora artística e dona da produtora Lume Arte, responsável pelo festival.
 Saxofonista Joshua Redman é um dos nomes mais aguardados e toca com o pianista Brad Mahldau Foto: Reprodução da Internet/imnworld |
Em sua 5ª edição, a Mimo continua seguindo o estilo implementado desde os primeiros anos: centrada na música instrumental, com espaços quase paritários entre e erudito e o popular. Também continuam os encontros, na maior parte inéditos, entre expoentes da música instrumental dos mais variados estilos.
Um dos encontros mais concorridos deve ser o de dois dos maiores expoentes do jazz dos Estados Unidos. O pianista e compositor Brad Mahldau se apresenta com o saxofonista e também compositor Joshua Redman. Os músicos, que nunca haviam tocado juntos antes, guardam em segredo seu repertório, mas especula-se que, além das composições próprias, eles vão mostrar versões de clássicos brasileiros.
Na linha da tradição popular, uma novidade promete atrair os fãs Siba Veloso. Ele protagoniza um encontro inédito e inusitado, ao lado do violeiro mineiro Roberto Corrêa. Siba, na rabeca, vai dialogar com Corrêa, que, numa concepção muito particular, também faz releituras do seu Sertão em palcos do mundo inteiro. Ainda no conceito do popular no erudito, Sagrama é outra atração da Mimo, com peças inéditas.
O popular, aliás, toma cada vez mais espaço na disputada e conceituada mostra instrumental. Uma das noites está reservada para o flautista Carlos Malta. Com o projeto Pife Muderno, ele se apresenta ao lado da Banda Sinfônica Mangaio, formada por 60 músicos do Conservatório Pernambucano de Música. O som do Pife Muderno vem da mistura de flautas de diferentes etnias, feitas de bambu: Jaqúi, Vetuiá, Uruá (Alto Xingu), Bansuri (Índia), Di-Zi (China) e pífano nordestino. O programa é essencialmente brasileiro, chegando ao clímax com a peça Os elementos em 5 movimentos. A música é um diálogo entre uma banda de pífanos e uma banda sinfônica.
Entre os eruditos, destaque para um dos melhores grupos camerísticos do Brasil, o Quinteto Villa-Lobos, além da estréia da Orquestra Mimo, formada pelos alunos da oficina de formação de orquestra, que será ministrada durante o evento pelo pianista e multinstrumentista Egberto Gismonti. Egberto fará participação ao piano. "Esta quinta edição da mostra ganhou mais ecletismo, com uma mistura maior de linguagens, mas não perdeu seu foco principal: apresentar o melhor da música erudita e instrumental. É a consolidação de um trabalho que vem encantando platéias há cinco anos", comemora a produtora.