Na dosagem certa
Muito mais do que em anos anteriores, os programas do guia eleitoral desta campanha serão, decididamente, mais amenos. Não só porque candidatos e marqueteiros aprenderam as lições, ainda que a duras penas, mas sobretudo porque os eleitores estão cansados de presenciar cenas desagradáveis. É isso o que se vê diariamente, em doses cavalares, nos noticiários das emissoras de televisão, pela manhã, à tarde e à noite, e o eleitorado precisa ser cativado com outros tipos de mensagens. Especialistas observam que o candidato que recorrer à exploração da miséria e da desgraça poderá se tornar vítima desse recurso, com o efeito ao contrário. Ao invés de conquistar o eleitor, poderá perdê-lo. É certo que ninguém faz campanha sem mostrar o lado negativo, sobretudo a degradação social das comunidades periféricas, enfatizando falhas e omissões dos que estão no poder. Até mesmo os governistas gostam de recorrer ao que era ruim em gestões passadas. Porém, como a produção do guia eleitoral é monitorada por pesquisas qualitativas, e já foram feitos muitos testes com programas pilotos, há cuidado especial com este quesito. Todas as cenas para mostrar o lado amargo da cidade devem ter a força de alertar sobre a necessidade de mudanças, mas sem excessos. Em termos de miséria, o Recife é um prato cheio. Em cada esquina há uma pequena tragédia social, desde as ruas dos bairros centrais aos becos, morros, favelas em áreas mais distantes. Porém, até para mostrar essa realidade, os programas do guia eleitoral terão que fazer na dosagem certa para não chocar ou irritar o eleitor.
Sinal vermelho
No mapa eleitoral do Palácio das Princesas já acendeu o sinal vermelho para a campanha de Renildo Calheiros, em Olinda. Mesmo levando em conta a rejeição à administração da prefeita Luciana Santos, o que se comenta é que candidato do PCB não correspondeu às expectativas.
Cansaço // Até o dia 19, quando começa o guia eleitoral, a campanha vai continuar centrada nas intensas e repetitivas caminhadas. E tanto os candidatos mais jovens como Mendonça Filho, João da Costa e Raul Henry, como o mais velho, Cadoca, já demonstram sinais de cansaço. Estão com a língua de fora.
Balança // Todos os candidatos já perderam peso. Mas pouca coisa. O que eles perdem nas caminhadas, compensam no prato. Mendonça Filho, por exemplo, que começou as caminhadas mais cedo, só emagreceu dois quilos.
Desolação // O deputado Augusto Coutinho (DEM), que se sente "o bom" entre os integrantes da campanha de Mendonça, foi surpreendido durante uma caminhada por uma eleitora que pediu para falar "com aquele gordo, ali". Foi pior do que negar o voto.
Hábito // Não é só com o PMDB. A choradeira por dinheiro é quase geral. Até o PT anda dizendo que a grana está curta nesta campanha. Mas quem entende do assunto afirma que petistas estão se queixando de barriga cheia e reclamam só para não perder o hábito.
Concorrência // O secretário das Cidades, Humberto Costa (PT) tem tido uma agenda política cheia nos fins de semana, mas é pouco para enfrentar a disposição que o prefeito João Paulo (PT) vem demonstrando pelo interior, ao lado do governador Eduardo Campos. Se Humberto não acelerar, perde o caminho até para uma eleição proporcional.
Ciúmes // Danilo Cabral, secretário de Educação, tem provocado crises terríveis de ciúmes dentro da equipe do governo, só porque vem dando conta do recado. Quer dizer, só por isso não. Ele continua no posto de amigo íntimo do governador Eduardo Campos.
Dia de TPM // A segunda-feira é dia de Tensão Pré-Monitoramento no governo do estado. É que, nas terças-feiras Eduardo Campos bloqueia a agenda só para fazer o acompanhamento da execução das metas estabelecidas pelo novo modelo de gestão. O secretário que estiver fora dos eixos leva uma bronca grande. E são muitos os que já passaram por isso.
Carga tributária
O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) fez enquete no seu site na Internet para saber a avaliação dos brasileiros sobre a carga tributária e 57% afirmaram que o atual sistema deve mudar, de forma a reduzir o peso dos tributos, facilitando a divisão de recursos entre os governos federal, estadual e municipal. Já 42% consideram que a carga é injusta e que o governo federal gasta mal e muito. Apenas 5% acham que a carga tributária é justa e que o governo federal utiliza bem os recursos que arrecada.