O quadro de pobreza e desigualdade reflete diretamente nas condições de saúde da população. A frase, aparentemente óbvia, parte do Plano Municipal de Saúde 2006-2009, elaborado pela Prefeitura do Recife. E de acordo com o documento, a cidade convive com sérios problemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário, aliados a condições ambientais desfavoráveis. Trata-se apenas de uma variável, entre tantas, de que o papel dos próximos prefeitos vai além da construção de academias da cidade e ampliação das unidades do Programa Saúde da Família.
Embora todo prefeito reclame sobre a falta de recursos financeiros, para o médico da emergência do Hospital Agamenon Magalhães, Honório Justino Júnior, dinheiro nunca foi o problema. "O que se faz, hoje, é encaminhar para o estado. A população precisa de urgência e não encontra sequer gente para fazer uma sutura".
A cirurgiã-geral e atual diretora técnica do Hospital das Clínicas, Iaracy Melo, acredita que falta empenho para comprar a briga política contra municípiosque empurram pacientes para o Recife. "Se a gente não tem estrutura, em outras cidades a situação é bem pior. Aqui, não temos atendimento de média complexidade, o qual deveria ser feito via policlínicas. Procedimentos simples deixam de ser feitos. E mesmo que as gestões resolvam estruturar melhor esses locais, não temos política de recursos humanos. Iria faltar profissional habilitado", resume Iaracy, que também já foi chefe da emergência da Restauração.
A ex-secretária de planejamento do Recife na gestão Roberto Magalhães, a urbanista Celecina Pontual, lembra uma máxima internacional clássica: para cada dólar investido em saneamento, quatro dólares são economizados na saúde pública. Não à toa, o tema foi abordado em detalhes no último dia 20 de julho, na seqüência de reportagens para discutir os principais desafios do futuro prefeito no Diario.